
Os munícipes de Canto do Buriti, no coração do Piauí, despertaram neste domingo, 25 de outubro de 2026, carregando no peito a mesma inquietação que percorreu cada canto do País. Pelas ruas de chão batido e calçadas, nas praças onde a vida se faz presente, nas conversas à porta das casas, todos falavam da mesma coisa: a jornada que decidiria os rumos da nação. O município, que abraça a gente com a simplicidade do sertão, sentiu intensamente o segundo turno das eleições presidenciais, numa disputa travada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Nantes Bolsonaro (PL). Não foi apenas mais um dia; foi o momento em que cada cidadão ergueu a voz por meio do voto, compondo um retrato de nação que, embora dividida em escolhas, permaneceu una no propósito de honrar a democracia. À noite, quando as urnas silenciaram e os números começaram a se formar nas telas, a revelação: Lula conquistou a reeleição, com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, superou os 59.826.041 sufrágios (48,21%) atribuídos ao adversário, conforme totalização oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais de 4,4 milhões de votos separaram os dois postulantes, numa margem que, sem apagar a força de quem apoiou o outro caminho, confirmou a vontade da maioria. Ao todo, 128.236.074 eleitores compareceram, 80,78% do total apto, enquanto 30.509.005 não puderam ou não conseguiram comparecer; registraram-se ainda 1.430.496 votos em branco e 2.723.305 nulos. Cada algarismo carrega uma história, um desejo, uma decisão que brotou do livre-arbítrio de milhões. O dia da votação, porém, guardou reviravoltas que ultrapassaram a simples contagem. Antes mesmo do fechamento previsto, duas campanhas bateram às portas da Justiça Eleitoral pedindo para estender o horário de votação. A chapa petista, diante de entraves na circulação do transporte público em várias cidades, recorreu ao Supremo Tribunal Federal para que ninguém ficasse para trás. Do mesmo modo, a coligação de Flávio Bolsonaro, por intermédio do PL, buscou junto ao TSE a ampliação do prazo em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde chuvas fortes transformaram ruas em obstáculos e dificultaram o deslocamento. Embora os motivos fossem distintos, problemas no sistema coletivo de um lado, intempéries climáticas do outro, ambos os lados buscavam o mesmo: garantir que cada cidadão tivesse tempo hábil de exercer o direito fundamental de votar. O ministro Cristiano Zanin acolheu a urgência e determinou a prorrogação de até duas horas, com encerramento às 19h de Brasília, aplicável às seções que ainda mantinham as portas abertas. Não se tratou de reabrir o que já havia se encerrado, mas de amparar quem, naquele instante, ainda lutava para chegar. Para muitos, essas duas horas foram preciosas. Foi o tempo necessário para que mães com crianças nos braços encontrassem carona; para que trabalhadores que saíam tarde do serviço conseguissem pegar o último ônibus; para que moradores de áreas afastadas, onde o asfalto é escasso, percorressem estradas de barro sem pressa, mas com firmeza no passo. Não foi um detalhe burocrático; foi a nação dizendo: esperaremos por você. O mapa que se desenhou ao final mostrou um país rico em diversidade de ideias. Lula triunfou em 13 unidades federativas, todos os Estados nordestinos, somados a Amapá, Amazonas, Pará e Minas Gerais, ao passo que Flávio Bolsonaro venceu em outros 13 e no Distrito Federal, com predomínio em parcelas do Sul, Centro-Oeste e Sudeste. No Piauí, a inclinação seguiu a tendência nordestina, mas a lição é nacional: a vitória nasce da soma de cada voto, não da quantidade de territórios conquistados. Canto do Buriti acompanhou tudo isso com olhar atento. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, 16.253 eleitores estavam habilitados; 12.666 compareceram, 3.587 se abstiveram, e as urnas receberam 8.739 votos a Lula e 2.803 a Flávio Bolsonaro, além de 158 brancos e 506 nulos. Esses números revelam a força local da primeira etapa, mas não se confundem com o segundo turno, é fato, no segundo turno, Lula recebeu 9.564 votos (77,22%) e Flávio 2.822 votos (22,78%), Brancos: 93 votos (0,73%), Nulos: 285 votos (2,23%). Agora, passado o encerramento, o que fica transcende os números. O novo mandato precisará responder a anseios concretos: geração de ocupação, fortalecimento da agricultura familiar, atendimento pleno na saúde, escolas que formem com excelência, estradas que aproximem, água que chegue a todas as torneiras. Governar um país onde quase metade dos votos apontou para outro caminho exige escuta, diálogo sincero e disposição para unir o que a disputa afastou. Em Canto do Buriti, como em todo lugar, a democracia não termina quando a urna fecha: ela continua na convivência respeitosa, na busca comum pelo bem de todos, na certeza de que cada voz importa. Alguns festejam, outros recolhem a esperança para recomeçar. Todos, contudo, fazem parte desta história. As telas apagam-se, mas a marca deste dia permanece: milhões saíram de casa, venceram distâncias, enfrentaram chuvas e atrasos, para dizer com clareza qual Brasil desejam construir. Essa é a verdadeira vitória, não de um candidato, mas de um povo que, dividido em escolhas, permanece uno no amor à pátria.





